Andrea Sandtfoss — índice de obras
- p012026sem título→óleo sobre tela21 x 29,7 cm●
- p022014Clarão→óleo sobre tela120 × 90 cm●





Uma sala de leitura sem paredes, sem livros e sem cadeiras — apenas o contorno de cômodos.
“Texto quer dizer ‘tecido’, um lugar onde o leitor se perde
Roland Barthes
como uma aranha que se dissolve ela mesma
nas secreções construtivas de sua teia.”
Caro leitor,
Em Sala de leitura reflito sobre o ato da leitura e a percepção de seus fluxos: intelectual e corporal. O trabalho é um convite para a experiência de tecer significados subjetivos de leitura com o corpo no espaço, apresenta uma espécie de abstração da comunicação por meio da leitura. É um exercício de decodificação de letras que almeja propiciar uma experiência em que você, leitor, constrói suas próprias subjetividades sobre um texto no espaço.
Sua composição não forma palavras reconhecíveis, decodificáveis, e por isso se abre a diversas interpretações.
Minha intenção é proporcionar uma experiência também do indefinido, procuro tornar a decodificação de palavras um processo alusivo, de tentativa, e, talvez por isso, mais demorado, com mais possibilidades de percepção e reflexão sobre uma "possível" palavra que não termina de se formar.
Nesse espaço vivencial, todos são ativos. Podem interagir com a obra e imergir com o corpo para que experimentem uma interpretação própria do que se lê/não se lê (a partir da letra). Na dimensão lúdica da participação e na impossibilidade de se deter a um sentido pré-determinado da palavra, dá-se a construção de sentidos próprios e se proporciona uma experiência sensorial e mental de leitura.
O trabalho foi desenvolvido em reflexão sobre a obra de Roland Barthes O prazer do texto (1973) e inspirado pela poética dos artistas Mira Schendel e León Ferrari, cujas obras transbordam encarnações da linguagem escrita.
A composição plástica foi desenvolvida após um longo processo de pesquisa/reflexão e em diálogo com artistas que tenho como referência visual, entre eles: Sol Lewitt, Waltercio Caldas e Marilá Dardot.
O título da instalação, Sala de leitura, logo indica ao visitante onde ele está situado: um espaço destinado à prática da leitura. Mas indica também que o próprio trabalho é um espaço a ser lido. Penso que com este nome de caráter explícito e corriqueiro, o trabalho possa detonar também novas perspectivas sobre a leitura, já que ele próprio é texto e espaço.
Aquilo que oscila não concede um ponto de partida fixo, nem um fim. Proponho que, com a dúvida, o leitor se torne também um componente do trabalho. Sem sua participação, permaneceria estático, refém apenas da sua forma. A experiência não é retida apenas por um significado, imagem ou pela letra, mas pela fluidez que engloba leitor e texto em um ciclo de proposição e construção sem limites de sentido.

Faculdade de Artes Plásticas · FAAP
2013



A corrente escreve.
O fogo inscreve.



Sem Título · 2012
Variável de aço sobre parede
1,80 × 1,80 m
289 letras de aproximadamente 5 × 4 cm







ANATOMIA DO ACORRENTAMENTO
Uma corrente não é definida por um elo.
É definida pela relação entre eles.

Manual técnico de identificação, instalação, inspeção e ruptura







